Beta Israel: A Profecia que se Cumpre Isaías 11:11

Profecia Judeus da Etiópia retorno a Israel

Beta Israel: A Profecia que se Cumpre Isaías 11:11
Profecia está preste a se cumprir Judeus Negros

A profecia de Sofonias 3:10, que na tradução NLT menciona “meu povo disperso que vive além dos rios da Etiópia virá apresentar suas oferendas”, tem sido associada por muitos ao retorno dos judeus da Etiópia, conhecidos como Beta Israel, a Israel. Esse versículo é interpretado como um sinal de que os dispersos de Israel, espalhados pelo mundo, retornarão à Terra Prometida nos tempos finais. De fato, a migração dos Beta Israel para Israel, especialmente a partir das décadas de 1980 e 1990, com operações como Moisés, Josué e Salomão, é vista por alguns como o cumprimento dessa profecia. Entre 1984 e 1991, mais de 45 mil judeus etíopes foram levados a Israel, enfrentando jornadas perigosas, como a travessia a pé pelo Sudão, onde cerca de 4 mil morreram devido a violência, doenças e fome. Esse movimento, chamado Aliyah, reflete o anseio de retorno a Sião, um tema central na tradição judaica, e ecoa a promessa de reunião dos exilados descrita em vários textos bíblicos.

Os Beta Israel, ou “Casa de Israel”, são uma comunidade judaica etíope que, segundo sua tradição, descende da linhagem de Jacó, especificamente da tribo de Dã, uma das dez tribos perdidas de Israel. Eles afirmam ser descendentes do rei Salomão e da rainha de Sabá, chamada Makeda na tradição etíope, cuja história é narrada no Kebra Nagast, um texto do século XIV escrito em ge’ez. O Kebra Nagast, ou “Glória dos Reis”, é uma obra fundamental para a Igreja Ortodoxa Etíope e o movimento Rastafari, detalhando como Makeda, após visitar Salomão em Jerusalém, retornou grávida e deu à luz Menelik I, o primeiro imperador da dinastia salomônica da Etiópia. O texto também narra que Menelik trouxe a Arca da Aliança para a Etiópia, onde supostamente permanece na Igreja de Santa Maria de Sião, em Axum. Essa narrativa, embora lendária e sem base histórica comprovada, reforça a conexão espiritual e ancestral dos Beta Israel com o povo judeu.

A trajetória dos Beta Israel é marcada por séculos de prática de um judaísmo único, com rituais que incluem a guarda do Shabat, celebração das festas judaicas e uso de uma Torá com mais de 500 anos. Vivendo principalmente nas regiões de Amhara e Tigray, na Etiópia, eles enfrentaram marginalização social, econômica e política, especialmente no século XX, durante a guerra civil etíope e regimes opressivos, como o de Mengistu Haile Mariam, que proibiu a prática do judaísmo e o ensino do hebraico. A partir de 1975, o governo israelense reconheceu os Beta Israel como judeus sob a Lei do Retorno, permitindo sua imigração. Em 2025, milhares continuam retornando a Israel, como destacado em vídeos e documentários recentes, que conectam esse movimento à profecia de Sofonias, interpretando-o como um sinal dos “últimos dias” e da reunião do povo disperso de Israel.

A ligação entre os Beta Israel e a Bahia, especificamente Candeias, não é direta, mas pode ser explorada por meio das conexões históricas e culturais entre o Brasil e os povos africanos. Durante o período colonial, o Brasil recebeu milhões de africanos escravizados, muitos provenientes de regiões próximas ao Chifre da África, como o Sudão e áreas que hoje abrangem a Etiópia. Embora os Beta Israel tenham sua própria história distinta, a diáspora africana no Brasil inclui descendentes de vários povos do continente, e a Bahia, como um dos principais pontos de chegada de escravizados, tornou-se um centro de preservação de tradições africanas, como o candomblé, que tem raízes em práticas espirituais de diversas etnias. É possível que tradições culturais ou espirituais etíopes tenham chegado à Bahia, mas não há evidências específicas de uma presença direta dos Beta Israel em Candeias.

Candeias, uma cidade histórica na região metropolitana de Salvador, foi fundada no século XVII e cresceu em torno de atividades econômicas como a produção de açúcar e, mais tarde, o petróleo, com a Refinaria Landulpho Alves. Durante o tráfico de escravos, a Bahia recebeu cerca de 1,3 milhão de africanos, muitos trazidos de portos como o de São Salvador, que serviam de ponto de distribuição para outras regiões do Brasil. Esses africanos pertenciam a grupos étnicos diversos, como os iorubás, fon e bantos, mas também havia indivíduos de outras áreas, incluindo o Chifre da África. A influência cultural africana em Candeias é visível em festas populares, como a Festa de São Francisco, e em tradições orais que remontam às raízes africanas, mas a conexão com os Beta Israel seria mais simbólica do que histórica, ligada à ideia de uma diáspora africana mais ampla.

A possibilidade de uma ligação espiritual entre Candeias e os Beta Israel pode ser considerada à luz das narrativas bíblicas e proféticas que ambos os povos compartilham indiretamente. Os Beta Israel, com sua fé baseada na Torá e na esperança de retorno a Sião, e a população afrodescendente de Candeias, que mantém tradições espirituais enraizadas na memória ancestral africana, podem encontrar um ponto de convergência na ideia de redenção e retorno às origens, temas centrais tanto na profecia de Sofonias quanto nas religiões de matriz africana no Brasil. A diáspora africana, em um sentido mais amplo, carrega essa memória de deslocamento e busca por pertencimento, algo que ecoa a jornada dos Beta Israel rumo a Israel.

Além disso, a presença de comunidades judaicas no Brasil, embora pequena, também pode oferecer uma ponte simbólica. Salvador, próxima a Candeias, abrigou uma das primeiras comunidades judaicas das Américas durante o período holandês (1630-1654), com a Sinagoga Kahal Zur Israel, fundada em 1636. Embora esses judeus fossem majoritariamente sefarditas, fugidos da Inquisição Ibérica, a história do judaísmo no Brasil inclui interações com populações afrodescendentes, especialmente em contextos de resistência cultural. A memória coletiva dos afrodescendentes de Candeias, que enfrentam até hoje desigualdades econômicas e sociais, pode ressoar com a luta dos Beta Israel por reconhecimento e dignidade em Israel, onde também enfrentaram discriminação.

A profecia de Sofonias, ao falar dos “dispersos” que retornarão, pode ser interpretada de forma mais ampla para incluir não apenas os Beta Israel, mas também os descendentes da diáspora africana em lugares como Candeias, que, em um sentido espiritual, também buscam sua “terra prometida” – seja ela a reconexão com suas raízes africanas ou a luta por justiça social. A ideia de “apresentar oferendas” pode ser vista metaforicamente como a preservação de suas tradições e a resistência cultural, algo que tanto os Beta Israel quanto os afro-baianos têm em comum. Assim, a ligação entre Candeias e os Beta Israel seria mais espiritual e simbólica, unindo dois povos que, apesar de distantes geograficamente, compartilham a experiência da diáspora e da esperança de redenção.

Do ponto de vista histórico, no entanto, a conexão direta é improvável. Os Beta Israel permaneceram isolados na Etiópia por séculos, e sua migração para Israel foi um fenômeno do século XX, impulsionado por fatores como a guerra civil etíope e a política de Aliyah de Israel. Já a diáspora africana no Brasil resultou do tráfico transatlântico, que trouxe principalmente povos da África Ocidental. Embora o Kebra Nagast mencione a Arca da Aliança e a linhagem salomônica, essas narrativas não têm paralelos diretos na história de Candeias. O texto etíope serviu para legitimar a dinastia imperial etíope, e sua influência se limita ao contexto etíope e rastafari, que, embora presente no Brasil, não é predominante em Candeias.

Portanto, a ligação entre Candeias e os Beta Israel reside mais no plano simbólico e espiritual do que no histórico. Ambos os povos compartilham a experiência da diáspora, da resistência cultural e da busca por identidade, temas que ecoam na profecia de Sofonias. Enquanto os Beta Israel retornam fisicamente a Israel, cumprindo o que muitos veem como uma promessa bíblica, a população de Candeias, com sua herança africana, continua a preservar sua memória ancestral em meio a desafios econômicos e sociais. Essa conexão, embora não documentada, reflete uma unidade mais profunda entre os povos dispersos, unidos pela esperança de um futuro melhor, seja em Sião ou na luta por dignidade em sua própria terra.