Recursos Bilionários, Impacto Invisível em Candeias
Candeias: Riqueza Sem Obras de Peso
A situação em Candeias, município baiano conhecido por sua extraordinária arrecadação bilionária anual, tem gerado intensos debates em 2025, especialmente no que diz respeito à gestão do atual prefeito e às suspeitas de má administração dos recursos públicos. A população local, que acompanha de perto o desempenho da administração municipal, descreve o cenário como um “espetáculo” protagonizado pela base aliada do prefeito, que parece mais focada em consolidar apoio político do que em promover mudanças significativas para o município. Enquanto isso, vereadores da oposição, em especial um atuante parlamentar, têm se destacado na fiscalização de supostas compras abusivas de bens e serviços com dinheiro público, levantando questionamentos sobre a transparência e a eficiência na aplicação dos recursos. A ausência de projetos impactantes na gestão atual, mesmo com uma arrecadação robusta, intensifica a insatisfação popular e coloca pressão sobre o governo municipal para que apresente resultados concretos.
Candeias, por sua localização estratégica próxima ao polo industrial de Salvador e à Refinaria Landulpho Alves, possui uma das maiores arrecadações municipais da Bahia, com receitas anuais que ultrapassam a casa de bilhões de reais, oriundas principalmente de royalties do petróleo, ICMS e ISS. Apesar disso, a cidade enfrenta desafios crônicos, como infraestrutura precária, saúde pública insuficiente e educação com indicadores abaixo do esperado. A expectativa era de que a atual gestão, iniciada em 2021, aproveitasse essa riqueza para transformar a realidade local, mas, ao entrar no primeiro semestre de 2025, a percepção geral é de estagnação. A falta de obras de grande porte, programas sociais inovadores ou investimentos em áreas prioritárias tem levado muitos candeenses a questionarem para onde está indo o dinheiro arrecadado, especialmente diante das denúncias de compras superfaturadas e contratações suspeitas.
A atuação do vereador oposicionista tem sido um dos poucos pontos de resistência contra o que muitos chamam de “má gestão”. Por meio de requerimentos, audiências públicas e denúncias ao Ministério Público, ele tem investigado contratos firmados pela prefeitura, apontando indícios de desvios em licitações para aquisição de materiais, serviços e até mesmo eventos culturais. Essas suspeitas ganharam força com a divulgação de gastos considerados exorbitantes em itens como decoração de festas, aluguel de equipamentos e serviços de consultoria, que, segundo o vereador, não condizem com as prioridades da população. A fiscalização rigorosa tem gerado embates acalorados na Câmara Municipal, onde a base do prefeito tenta desqualificar as denúncias, alegando que se tratam de perseguição política. Contudo, a pressão popular por transparência só aumenta, alimentada por postagens nas redes sociais e debates em rádios locais.
A arrecadação bilionária de Candeias deveria ser um trunfo para a administração municipal, mas, paradoxalmente, parece ser um fardo. Especialistas em gestão pública apontam que a abundância de recursos pode levar à má administração quando não há planejamento estratégico ou controle eficiente. Em 2024, relatórios do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA) já haviam apontado irregularidades em contas da prefeitura, incluindo falhas na execução orçamentária e na prestação de contas. A falta de avanços em áreas como mobilidade urbana, saneamento básico e geração de empregos reforça a percepção de que a riqueza do município não está sendo revertida em benefícios para a população. Enquanto cidades vizinhas, como São Francisco do Conde, também ricas em royalties, exibem sinais de progresso, Candeias parece travada em um ciclo de promessas não cumpridas.
Um dos pontos mais críticos da atual gestão é a situação dos servidores públicos estatutários, que enfrentam uma perda salarial acumulada de 28% desde o governo do ex-prefeito Pitágoras (2017-2020). O salário base de R$ 1.492,24, que será reajustado em maio de 2025, não acompanha a inflação acumulada, corroendo o poder de compra dos funcionários. Além disso, a ausência de benefícios como plano médico e odontológico agrava a insatisfação da categoria, que se sente desvalorizada apesar do peso da máquina pública na economia local. Sindicatos têm pressionado a prefeitura por um reajuste real, mas a gestão alega dificuldades financeiras, argumento que soa incoerente diante da arrecadação bilionária. A herança deixada por Pitágoras, marcada por reajustes insuficientes e falta de diálogo com os servidores, continua sendo um desafio para o atual prefeito.
A proximidade do reajuste salarial de maio de 2025 tem mobilizado os servidores, que planejam paralisações e atos públicos para cobrar não apenas a recomposição das perdas, mas também melhores condições de trabalho. Muitos funcionários relatam que a falta de estrutura em repartições públicas, como escolas e postos de saúde, reflete a má gestão dos recursos. A ausência de benefícios médicos e odontológicos, comum em outros municípios com arrecadação semelhante, é vista como uma negligência da prefeitura, que prioriza gastos considerados supérfluos em detrimento do bem-estar dos trabalhadores. O embate entre o sindicato e a administração municipal promete esquentar o cenário político nos próximos meses, com risco de desgaste ainda maior para o prefeito.
A base aliada do prefeito, composta por vereadores que dominam a Câmara Municipal, tem tentado blindar a gestão das críticas, mas enfrenta dificuldades para justificar a falta de resultados concretos. Projetos apresentados como vitrines da administração, como reformas de praças e eventos culturais, são vistos pela população como insuficientes diante das necessidades mais urgentes, como a ampliação do hospital municipal ou a pavimentação de bairros periféricos. A oposição, liderada pelo vereador atuante, capitaliza o descontentamento popular, exigindo auditorias externas e maior participação da sociedade na fiscalização do orçamento. A sociedade civil, por sua vez, começa a se organizar em movimentos que cobram maior transparência, inspirados por exemplos de outras cidades que conseguiram reverter recursos em melhorias reais.
O cenário político em Candeias, às vésperas das eleições municipais de 2026, está cada vez mais polarizado. A gestão atual, que herdou uma prefeitura com finanças robustas, mas também com problemas estruturais, não conseguiu até o momento transformar a arrecadação bilionária em um legado positivo. As denúncias de compras abusivas, somadas à insatisfação dos servidores e à falta de obras impactantes, criam um ambiente de desconfiança que pode custar caro ao prefeito e sua base. A pressão por accountability, liderada pelo vereador oposicionista e amplificada pela população nas redes sociais, coloca a administração contra a parede, exigindo respostas que vão além de discursos ou promessas. O primeiro semestre de 2025 será decisivo para definir se a gestão conseguirá reverter essa percepção ou se afundará ainda mais na crise.
Por fim, a situação de Candeias reflete um problema maior enfrentado por alguns municípios brasileiros ricos em recursos governado pelo partidos aliado ao CENTRÃO, mas pobres em gestão. A incapacidade de traduzir a arrecadação bilionária em qualidade de vida para os candeenses é um alerta para a necessidade de planejamento, transparência e participação popular. Enquanto o “espetáculo” da base do prefeito tenta desviar o foco das críticas, a atuação firme do vereador oposicionista e a mobilização dos servidores mostram que a população está atenta e disposta a cobrar mudanças. O desafio para a atual gestão é enorme: recuperar a confiança dos cidadãos, valorizar os servidores e transformar a riqueza do município em benefícios tangíveis. Caso contrário, Candeias corre o risco de continuar assistindo a um espetáculo de promessas vazias, enquanto suas potencialidades permanecem desperdiçadas.











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